Exportações mostram nova dimensão da economia de Passo Fundo

Dados até setembro colocam o município entre os principais exportadores do país em segmentos que vão do agro à indústria, saúde, energia e máquinas

Passo Fundo vem ampliando sua presença no comércio exterior e, mais do que crescer em volume, passa a revelar uma pauta exportadora cada vez mais diversificada. Dados atualizados pelo Observatório Econômico do Município, com base em informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram a cidade entre as principais exportadoras brasileiras em diferentes cadeias produtivas.

O município ocupa a liderança nacional nas exportações de trigo e mistura de trigo com centeio, com US$ 85,2 milhões comercializados entre janeiro e setembro de 2026. Passo Fundo também aparece em 1º lugar no Brasil em um grupo de produtos utilizados para fins terapêuticos, com US$ 8,24 milhões exportados. Trata-se de insumos utilizados pela indústria farmacêutica na produção de medicamentos e outros produtos terapêuticos, incluindo substâncias como heparina e extratos de origem animal. Os números reforçam uma característica que ganha cada vez mais espaço na economia local: a combinação entre a força do agronegócio e atividades industriais de maior agregação de valor.

Além das duas lideranças nacionais, Passo Fundo ocupa a 4ª posição brasileira nas exportações de arroz, com US$ 32,2 milhões; a 5ª colocação em glicerol bruto, com US$ 23,7 milhões; e também o 5º lugar em biodiesel, com US$ 2,2 milhões exportados. A indústria de máquinas também aparece com destaque. Passo Fundo está na 6ª posição nacional em um grupo de máquinas e aparelhos mecânicos, com US$ 10,6 milhões em exportações, e em 7º lugar no país em máquinas e equipamentos de uso agrícola, com quase US$ 8 milhões comercializados para o exterior.

Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Adolfo de Freitas, o aspecto mais relevante do levantamento está justamente na diversidade dos produtos. “Esse levantamento mostra um avanço importante na maturidade econômica de Passo Fundo. A cidade não aparece apenas como origem de produtos primários, mas também como território de transformação, industrialização e produção com maior valor agregado. É esse tipo de movimento que amplia nossa competitividade e melhora a capacidade de atrair novos investimentos”, aponta.

A soja segue tendo peso expressivo. Entre janeiro e setembro, as exportações registradas para Passo Fundo chegaram a US$ 829,7 milhões, resultado que coloca o município em 2º lugar no Rio Grande do Sul e na 11ª posição nacional nesse produto.

A pauta exportadora também inclui setores menos associados tradicionalmente à economia local. Passo Fundo ocupa, por exemplo, a segunda posição nacional nas exportações de misturas betuminosas, utilizadas em aplicações industriais e de pavimentação, além de também aparecer em segundo lugar em determinadas gorduras e óleos de origem animal. No Rio Grande do Sul, o município aparece em primeiro lugar em 12 grupos de produtos exportados, incluindo trigo, milho, glicerol, biodiesel, produtos para fins terapêuticos, oleaginosas e enzimas.

Para Freitas, essas informações têm também uma função estratégica na atração de novos investimentos. “Quando apresentamos Passo Fundo a uma empresa interessada em investir, conseguimos demonstrar que já existem aqui cadeias produtivas competitivas e conectadas ao mercado internacional. Isso é muito diferente de falar apenas em potencial. Os números mostram uma economia real, diversificada e com capacidade de crescer ainda mais”, afirma.

Os dados integram o trabalho do Observatório Econômico de Passo Fundo, que acompanha indicadores oficiais e produz informações para apoiar o planejamento do Município, a formulação de políticas de desenvolvimento e a prospecção de investimentos. O levantamento aponta a ampliação da inserção de Passo Fundo no comércio internacional e o fortalecimento de diferentes cadeias produtivas da economia local.