A Prefeitura de Passo Fundo vai levar uma das maiores áreas industriais disponíveis do Rio Grande do Sul à Bolsa de Valores – B3, em um leilão que poderá movimentar pelo menos […]
A Prefeitura de Passo Fundo vai levar uma das maiores áreas industriais disponíveis do Rio Grande do Sul à Bolsa de Valores - B3, em um leilão que poderá movimentar pelo menos R$ 52,4 milhões diretamente no município. O valor considera a soma do lance inicial, de R$ 32,4 milhões, com o investimento obrigatório de, no mínimo, R$ 20 milhões que deverá ser realizado pelo arrematante no local.
Com 450 mil metros quadrados, o equivalente a cerca de 63 campos de futebol, o terreno às margens da RS-324 está entre os maiores ativos industriais prontos do Estado. A área, onde funcionou a fábrica de guindastes da norte-americana Manitowoc, foi avaliada pela Caixa Econômica Federal em R$ 81 milhões. Com mais de 26 mil metros quadrados de área construída e infraestrutura já implantada, o imóvel é considerado estratégico para atração de operações industriais, logísticas e empresariais de grande porte.
O cronograma já está definido. O edital será publicado nesta terça-feira (30 de junho), a entrega dos envelopes na B3 ocorre em 10 de setembro, e a sessão pública de disputa acontece em 17 de setembro de 2026.
A escolha da B3 segue o modelo de grandes operações públicas realizadas no país. Ao levar o ativo à bolsa de valores brasileira, o município amplia o alcance nacional do leilão, dá transparência ao processo e estimula a competição entre investidores, que se credenciam por meio de corretoras. Toda a estrutura da operação na B3 fica a cargo do vencedor, sem custo para os cofres públicos.
“Não estamos apenas vendendo uma área. Estamos transformando um patrimônio público em empregos, investimentos e desenvolvimento para Passo Fundo e região”, afirmou o prefeito de Passo Fundo, Pedro Almeida.
A operação vem acompanhada de contrapartidas. Além de apresentar um projeto técnico, o arrematante terá de gerar pelo menos 150 empregos diretos e indiretos em até cinco anos e investir no mínimo R$ 20 milhões na área no prazo de dez anos.
Haverá ainda impactos adicionais, como a geração de ISS dos serviços utilizados na implantação, ICMS compartilhado via retorno estadual, aumento do Valor Adicionado Fiscal (VAF), IPTU, ITBI, circulação de renda e valorização do entorno.
Para dar segurança ao negócio e afastar propostas especulativas, o edital exige comprovação de capacidade financeira, com patrimônio mínimo de cerca de R$ 8,1 milhões. Cada participante também deverá depositar uma garantia de proposta equivalente a 1% da avaliação do imóvel - cerca de R$ 810 mil -, valor que será devolvido ao final do processo. O vencedor pagará uma entrada de 10% sobre o lance, o que representa, no mínimo, R$ 3,24 milhões ingressando diretamente nos cofres públicos. O saldo será quitado em 20 parcelas mensais, corrigidas pelo IPCA.
"O Município está colocando no mercado uma área avaliada em mais de R$ 81 milhões e exigindo que o futuro empreendedor gere, no mínimo, 150 empregos e invista mais de R$ 20 milhões em Passo Fundo", destacou o prefeito de Passo Fundo, Pedro Almeida.
A localização reforça o potencial do ativo. Às margens da RS-324 e com acesso às BR-285 e BR-153, a área se conecta aos mercados do Sul, do Sudeste e do Mercosul e fica a poucos minutos do Aeroporto Lauro Kortz. O terminal é operado pelo ECB Group em parceria com a francesa Egis, responsável pela gestão do aeroporto Paris-Charles de Gaulle, e passa por ampliação para o transporte aéreo de cargas.
Conduzido pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, o processo reúne lei autorizativa, termo de referência, edital, avaliação técnica e pareceres jurídicos, e é acompanhado pelo Tribunal de Contas do Estado, pelo Ministério Público e pela Câmara de Vereadores.
EDITAL: https://www.pmpf.rs.gov.br/leilao-01-2026/
De marco industrial a novo ciclo de desenvolvimento
A trajetória do imóvel ajuda a explicar a relevância do leilão. No início da década de 2010, Passo Fundo venceu a disputa nacional pela primeira planta na América Latina da norte-americana Manitowoc, fabricante de guindastes sediada nos Estados Unidos, que entrou em operação em 2012. A retração do mercado de equipamentos pesados levou ao fechamento da fábrica em 2015, e seguiu-se quase uma década de disputa judicial até que o município retomasse a posse, em março de 2024, e registrasse a propriedade em seu nome, em janeiro de 2025. Entre uma fase e outra, durante a enchente de 2024, o espaço ainda cumpriu papel social, ao servir de centro de distribuição de donativos para os atingidos pela tragédia climática no Rio Grande do Sul.
Por que investir em Passo Fundo
O leilão chega em um momento de expansão econômica da cidade. Sexta maior economia do Rio Grande do Sul, Passo Fundo foi, em 2025, o município que mais gerou empregos entre os gaúchos com até 400 mil habitantes, e o terceiro maior exportador do Estado, com US$ 1,7 bilhão.
No mesmo período, foram abertas mais de 8 mil empresas, enquanto o Valor Adicionado Fiscal praticamente dobrou desde 2021, ao alcançar R$ 9,76 bilhões. A cidade também é a primeira do interior gaúcho reconhecida como ecossistema de inovação consolidado e mantém posição de polo regional em saúde e educação.
Grandes empreendimentos
Passo Fundo já abriga operações de grande porte e projeção nacional. É sede da Be8 (antiga BSBios), maior produtora de biodiesel do Brasil e primeira empresa do setor a exportar o biocombustível, com capacidade superior a 900 milhões de litros por ano. A empresa pertence ao ECB Group, a mesma holding que opera o aeroporto da cidade.
Também tem sede em Passo Fundo a Rede de Farmácias São João, maior rede farmacêutica do Sul do país e quarta maior do Brasil, com mais de 1.200 lojas e cerca de 20 mil colaboradores. A rede mantém na cidade um centro de distribuição de 100 mil metros quadrados. A JBS opera no município há mais de 35 anos, com uma unidade de processamento de aves com capacidade para 400 mil frangos por dia, mais de 2.600 empregos diretos e uma rede de 600 produtores integrados.
O parque empresarial de Passo Fundo reúne ainda outros nomes de peso da indústria e do varejo nacional. É o caso do Grupo Metasa, fabricante de estruturas metálicas e torres de transmissão, da Kuhn do Brasil, multinacional francesa de máquinas e implementos agrícolas, e da Italac, indústria de laticínios com atuação em todo o país. Completam esse grupo a Maxoader, fabricante de implementos para movimentação de carga, a Automasul, concessionária e referência no setor automotivo regional, e a Comercial Zaffari, por meio da bandeira Stock Center, rede de supermercados com forte presença no Rio Grande do Sul.
Economia de Passo Fundo
- 6ª maior economia do Rio Grande do Sul
- 1ª em geração de empregos entre municípios gaúchos de até 400 mil habitantes em 2025 (saldo de +2.768 vagas)
- 3º maior exportador do RS em 2025, com US$ 1,7 bilhão (foi o 2º em 2024)
- Mais de 8 mil empresas abertas em 2025, cerca de 30 por dia útil (+28,65% sobre 2024)
- Valor Adicionado Fiscal quase dobrou: de R$ 4,76 bilhões (2021) para R$ 9,76 bilhões (2025)
- 2º polo da construção civil do RS
- Base diversificada: serviços, comércio, saúde, educação, indústria e agronegócio
- 10ª cidade mais populosa do Estado, com 214.811 habitantes (IBGE, 2025)
Saúde
- 11 hospitais (polo regional de saúde do interior gaúcho)
- R$ 36,3 milhões de movimentação financeira hospitalar em 2024
- Referência regional em saúde para mais de 130 municípios
Educação
- 9 instituições de ensino superior
- Mais de 20 mil estudantes universitários
- Universidade de Passo Fundo (UPF) como âncora do ecossistema acadêmico
- Institutos técnicos e programas municipais de qualificação profissional
Inovação e tecnologia
- 1ª cidade do interior gaúcho reconhecida como ecossistema de inovação consolidado
- Selo Ouro no Connected Smart Cities
- Mais de 100 instituições no ecossistema de inovação (UPF, UPF Parque, Passo Fundo Valley, entre outras)
Logística e infraestrutura
- Aeroporto Lauro Kortz: 244 mil passageiros, 1.752 operações e 553 toneladas de carga aérea em 2025. Aeroporto operado pelo ECB Group em parceria com a francesa Egis (que administra o Paris-Charles de Gaulle)
- Ampliação do aeroporto para transporte aéreo de cargas
- Hub logístico terrestre: 302 mil viagens de carga, 5,6 milhões de toneladas e 83 milhões de quilômetros em 2025
- Localização na RS-324, com acesso às BR-285 e BR-153
- Conexão com Sul, Sudeste e Mercosul
- Polo de distribuição com influência sobre mais de 130 municípios
- Proximidade do Distrito Industrial e de empresas dos setores metalmecânico, agroindustrial, logístico e de serviços
Agronegócio
- Exportações de US$ 1,73 bilhão em 2025, quase 98% ligados ao agro
- A soja responde por cerca de 76% do valor exportado
- Principais cargas: soja e derivados, milho, trigo, carnes, biodiesel e insumos industriais
Infraestrutura urbana (específica da área leiloada)
- Energia: subestação de 5 MVA, atendida pela Coprel
- Água, esgoto, telecomunicações, iluminação pública e vias pavimentadas
- Trevo de acesso em construção
- Perspectiva de rede de biometano da Sulgás (~20 km)
- Área fora das regiões de risco de enchente
SERVIÇO
O quê: leilão de alienação da antiga área da Manitowoc, na B3
Área: 450 mil metros quadrados (45 hectares), com 26.774,38 metros quadrados construídos
Localização: margens da RS-324, Passo Fundo (RS)
Avaliação: R$ 81 milhões, pela Caixa Econômica Federal
Lance mínimo do leilão: R$ 32.404.400
Contrapartida: Gerar 150 empregos em 5 anos e R$ 20 milhões de investimentos em 10 anos
Destinação: indústria e logística
Edital publicado: 30 de junho de 2026
Entrega de envelopes na B3: 10 de setembro de 2026
Leilão na B3: 17 de setembro de 2026