Todas as setoriais culturais deverão ser ouvidas, além da população, na definição das diretrizes para a próxima década
A Prefeitura de Passo Fundo iniciou a organização dos trabalhos para a construção do Plano Municipal de Cultura 2027-2037, que vai estabelecer diretrizes e estratégias para o desenvolvimento cultural e da indústria criativa no município nos próximos dez anos. O processo será desenvolvido de forma colaborativa, com a participação da Secretaria Municipal de Cultura, da Universidade de Passo Fundo (UPF), do Conselho Municipal de Políticas Culturais e dos representantes dos diferentes setores culturais, além da população.
A universidade foi contratada para realizar a escuta dos setores culturais e executar todas as etapas legais necessárias à elaboração e à validação do plano. A previsão é de que o trabalho seja concluído em cinco meses, com a formulação do documento e o encaminhamento da proposta de lei para aprovação. A etapa de organização começa em outubro, com a definição das atividades, do cronograma e das estratégias de participação e escuta da comunidade.
O prefeito Pedro Almeida destacou a importância de ampliar a participação no processo para além dos profissionais e das entidades diretamente ligados à produção cultural. Para ele, também é necessário compreender como a população percebe a cultura e quais atividades fazem parte do cotidiano das comunidades. “O setor cultural é importantíssimo para o município. É preciso entender como as pessoas enxergam a cultura da cidade, mesmo que não estejam ligadas formalmente a esses setores”, observa o prefeito.
O secretário municipal de Cultura, Rafael Bortoluzzi, também ressaltou a necessidade de avançar na profissionalização do setor e ampliar o reconhecimento da cultura como parte da economia local. “Criamos um entendimento sobre a necessidade de profissionalizar essa nova edição do Plano de Cultura, algo que já vínhamos discutindo com a classe. Precisamos avançar cada vez mais e buscar maior reconhecimento perante a sociedade. É necessário mostrar que o trabalho cultural gera dividendos, movimenta uma parcela importante da economia e oferece entretenimento ao público consumidor”, afirma.
Segundo o secretário, a proposta foi discutida com o Conselho Municipal de Políticas Culturais, incluindo os custos e os investimentos necessários para sua elaboração. Com a aprovação da proposta, o processo avança agora para a etapa de construção do novo plano.
A coordenadora do Plano de Cultura 2027-2037, Fabiana Beltrami, explica que o planejamento começou a ser pensado há cerca de dois anos, mas que a consolidação da proposta ocorreu nos últimos meses. Segundo ela, o novo documento será elaborado em um momento diferente da realidade cultural de Passo Fundo em comparação com o período em que foi construído o plano anterior. “Passo Fundo hoje é uma cidade pulsante, diferente, com grandes mudanças em relação ao que se tinha há dez anos, quando começou a construção do plano que agora se encerra. Temos um grupo de fazedores de cultura qualificados, mas também muitas pessoas que estão em processo de se estabelecer como profissionais da área. O plano vai facilitar esse olhar e ajudar a definir estratégias importantes para pensar a cultura e a indústria criativa nos próximos dez anos”, destaca Fabiana.
Ela ressalta que a participação de diferentes instituições será fundamental para garantir um planejamento consistente, construído a partir da realidade dos setores culturais. “A responsabilidade de ter um plano é do governo municipal, mas a universidade traz sua expertise em pesquisa e análise desses processos, enquanto o Conselho Municipal de Políticas Culturais representa os setores da cultura. Essa união vai proporcionar uma trajetória qualificada, colaborativa e baseada na escuta”, afirma.
A presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais, Rita Tatim, explica que a atualização do plano está entre as prioridades do colegiado desde a posse dos atuais conselheiros, em abril de 2025. Desde então, o Conselho acompanha a elaboração da proposta e contribui para a organização do processo junto à Secretaria Municipal de Cultura e ao Passo Criativo.
A primeira proposta foi apresentada às dez setoriais culturais existentes no município, que fizeram apontamentos posteriormente incorporados ao documento. Uma segunda versão foi submetida à avaliação e aprovada por unanimidade. “Nosso trabalho não é apenas fiscalizar ou dizer se concordamos ou não com uma proposta. Queremos contribuir para que a escuta da comunidade e da classe artística realmente aconteça. Representamos os trabalhadores da cultura e os interesses dos munícipes, por isso é fundamental compreender quais são as demandas e as expectativas para o próximo plano”, afirma Rita.
A presidente acrescenta que o Conselho já criou uma comissão com quatro conselheiros para atuar no processo junto à comunidade e ao Passo Criativo. A intenção é manter o diálogo com as setoriais culturais e ampliar a participação na definição das prioridades para os próximos dez anos.
A parceria com a universidade também integra a construção do planejamento. Para o diretor do Instituto de Humanidades, Ciências, Educação e Criatividade, professor Luiz Marcelo Darroz, a participação no processo está alinhada ao papel comunitário da instituição e à aproximação com as demandas do município. “A universidade, como uma universidade comunitária, precisa romper os muros da nossa instituição. Estar junto com a Prefeitura e outras entidades, discutindo a cultura, é uma oportunidade de reforçar ainda mais esse sentido comunitário, levando nossa expertise a todo o alcance do município”, destaca.
A elaboração do Plano Municipal de Cultura 2027-2037 deverá reunir as contribuições das dez setoriais culturais, das instituições envolvidas e da população. A proposta é estabelecer prioridades e estratégias que acompanhem as transformações de Passo Fundo e fortaleçam a cultura e a indústria criativa na próxima década.