{"id":2288,"date":"2017-06-20T19:25:34","date_gmt":"2017-06-20T22:25:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pmpf.rs.gov.br\/secretaria-de-cultura\/2017\/06\/20\/feminismo-poesia-musica-e-haikai\/"},"modified":"2017-06-20T19:25:34","modified_gmt":"2017-06-20T22:25:34","slug":"feminismo-poesia-musica-e-haikai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pmpf.rs.gov.br\/cultura\/2017\/06\/20\/feminismo-poesia-musica-e-haikai\/","title":{"rendered":"Feminismo, poesia, m\u00fasica e haikai"},"content":{"rendered":"<p>O encontro de Alice Ruiz com as palavras come\u00e7ou ainda na inf\u00e2ncia. Das primeiras frases colocadas no papel at\u00e9 hoje nunca mais se separaram. Desse encontro nasceram contos, poemas, m\u00fasicas e haikais que fizeram de Alice um nome importante da literatura brasileira. Em outubro, entre os dias 2 e 6, a escritora tem um novo encontro com as palavras, dessa vez em Passo Fundo\/RS, n\u00e3o com o objetivo de coloc\u00e1-las no papel, mas para exercer um papel t\u00e3o importante quanto esse: ao lado dos escritores Augusto Massi e Felipe Pena integra o time de novos coordenadores de debates da 16\u00aa Jornada Nacional de Literatura, uma das maiores movimenta\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias da Am\u00e9rica Latina. <\/p>\n<p>Poeta consagrada, Alice garante que n\u00e3o escolheu a poesia. \u201cN\u00e3o acho que foi uma decis\u00e3o, n\u00e3o sinto como uma escolha, pelo contr\u00e1rio, acho que a arte nos escolhe e a poesia em especial. Talvez a gente tenha algum tipo de desvio e a poesia nos pega de soslaio\u201d, brinca a escritora. De soslaio tamb\u00e9m parecem vir os poemas que, n\u00e3o necessariamente nascem de uma tem\u00e1tica espec\u00edfica, mas do amor que a escritora nutre pelas pr\u00f3prias palavras. \u201cEu acho que tem muitos poemas sobre a pr\u00f3pria palavra. Eu sou muito apaixonada pela palavra. Muitos poemas tiveram origem sobre o pensamento da pr\u00f3pria palavra. Eu fico atenta a tudo que est\u00e1 acontecendo e de repente o que mais me move vai para o papel\u201d, comenta. <\/p>\n<p>Assim como a poesia, outro talento que nasceu de forma espont\u00e2nea para a Alice foi a composi\u00e7\u00e3o de can\u00e7\u00f5es. Foi gra\u00e7as \u00e0 populariza\u00e7\u00e3o do rock no Brasil \u2013 que coincidiu com sua pr\u00e9-adolesc\u00eancia \u2013 que escreveu suas primeiras letras, mesmo sem saber. \u201cEu cantava algumas m\u00fasicas, mas queria saber o que estava cantando, ent\u00e3o comecei a brincar de traduzir. Quando meu ingl\u00eas n\u00e3o dava conta, eu inventava, mas sempre dentro a melodia procurando ser fiel \u00e0s rimas e \u00e0 emo\u00e7\u00e3o que a melodia transmitia. Estava me tornando letrista e n\u00e3o sabia. Mais uma vez n\u00e3o foi intencional\u201d, lembra.<\/p>\n<p>Apesar da naturalidade com que entrou nos dois mundos, Alice faz quest\u00e3o de deixar claro que poema e m\u00fasica, mesmo que se cruzem em determinados momentos, s\u00e3o muito diferentes. Na opini\u00e3o dela, a letra tem caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, pede mais coloquialidade e muito mais diretidade do que o poema no papel. A principal quest\u00e3o, no entanto, \u00e9 o tempo. \u201cO tempo que o poema pede \u00e9 amplo, voc\u00ea pode ir e voltar v\u00e1rias vezes. \u00c0s vezes voc\u00ea n\u00e3o entende de primeira, mas pode voltar. A letra n\u00e3o, para ela captar a sua aten\u00e7\u00e3o tem que ser imediatamente ou n\u00e3o. Acho que essa \u00e9 a principal diferen\u00e7a\u201d, explica. O que os assemelha, \u00e9 que, para Alice, tanto um quanto o outro precisam nascer de uma ideia. <\/p>\n<p><b>Natureza e feminismo<\/b><br \/>Essa ideia, no caso do haikai, pode vir da pr\u00f3pria natureza. Formato de poema constitu\u00eddo de tr\u00eas versos, muito comum no Jap\u00e3o, com tem\u00e1tica geralmente associada \u00e0 observa\u00e7\u00e3o da natureza, o haikai se popularizou no Brasil principalmente pelo trabalho que Alice desenvolve. Sobre o formato, a escritora conta que o que mais lhe encanta \u00e9 a concis\u00e3o e o fato de ser sobre a natureza, outra de suas paix\u00f5es. \u201cEu moro em uma casa e tenho jardim, mas se n\u00e3o tivesse um teria vasos cheios de plantas, porque preciso estar sempre lidando com a terra, plantando, vendo brotar, isso me alimenta. Quando eu me deparei com o haikai pela primeira vez eu j\u00e1 fazia alguma coisa parecida, percebi que tinha um embri\u00e3o de haikai no que eu fazia e comecei a estudar\u201d, comenta. Foram mais de 20 anos de estudo at\u00e9 que Alice come\u00e7asse a ensinar. <\/p>\n<p>Al\u00e9m do estudo do haikai, Alice tamb\u00e9m dedicou parte de sua vida a estudar o feminismo. Quando nova, conta que era considerada a ovelha negra da fam\u00edlia. \u201cChamavam-me de rebelde\u201d, lembra. Foi nas p\u00e1ginas de Mem\u00f3rias de Uma Mo\u00e7a Bem Comportada, da escritora Simone de Beauvoir, que entendeu que nada tinha de revoltada. \u201cEu simplesmente n\u00e3o me submetia a um sistema que considerava injusto, ent\u00e3o comecei a ler e estudar muito sobre o feminismo\u201d, conta. Apesar dos anos de estudo, Alice garante que s\u00f3 passou a entender visceralmente a desigualdade quando sua filha \u00c1urea come\u00e7ou, ainda muito pequena, a imit\u00e1-la. \u201cEu percebi que por mais teoria que a gente tivesse &#8211; porque eu me reunia com amigas e conversava muito sobre isso &#8211; ainda assim eu me via reproduzindo atitudes machistas e a minha filha me mostrou isso me imitando como um espelho. Foi quando eu parei tudo e falei a\u00e7\u00e3o!\u201d, ressalta.<br \/><b><br \/>Do outro lado do balc\u00e3o<\/b><br \/>Em outubro, Alice sobe ao palco da 16a Jornada Nacional de Literatura para mediar importantes debates. Para ela, que j\u00e1 participou da Jornada em 1991, dessa vez \u00e9 como estar do outro lado do balc\u00e3o, desempenhando um papel completamente diferente. \u201cE eu achei maravilhoso isso porque desafia e tudo que nos desafia \u00e9 bem-vindo. Eu estava pensando bastante em como conduzir esses debates e quero conhecer bem os autores que eu vou mediar. Acho que tudo que eu j\u00e1 admirei em media\u00e7\u00f5es das quais eu era a mediada e tudo que eu achei que n\u00e3o se deve fazer eu vou levar em conta para desempenhar essa fun\u00e7\u00e3o\u201d, ressalta. <\/p>\n<p>Sobre levar quest\u00f5es importantes como a igualdade de g\u00eaneros a um espa\u00e7o como o da Jornada ela \u00e9 categ\u00f3rica: \u201cAcho que n\u00f3s estamos em um momento muito contradit\u00f3rio em rela\u00e7\u00e3o a esse tema. Por um lado estamos vendo um projeto de retrocesso muito grande e por outro um avan\u00e7o muito grande e n\u00f3s n\u00e3o estamos querendo abrir m\u00e3o das conquistas j\u00e1 adquiridas e tamb\u00e9m n\u00e3o estamos tolerando mais essa viol\u00eancia. \u00c9 uma coisa que a gente precisa discutir e muito e acho importante se levar a p\u00fablico e num evento que re\u00fane pessoas dispostas a pensar, finaliza. <\/p>\n<p><b>Mais sobre a escritora<\/b><br \/>Poeta e haikaista, Alice Ruiz nasceu em Curitiba, Paran\u00e1, em 22 de janeiro de 1946. Come\u00e7ou a escrever contos com 9 anos de idade, e versos aos 16. Aos 26 anos publicou pela primeira vez seus poemas em revistas e jornais culturais. Lan\u00e7ou seu primeiro livro aos 34 anos. De l\u00e1 para c\u00e1 publicou 21 livros, 21 livros, entre poesia, tradu\u00e7\u00f5es e uma hist\u00f3ria infantil.<\/p>\n<p>Comp\u00f5e letras desde os 26 anos &#8211; tem diversas can\u00e7\u00f5es gravadas por parceiros e int\u00e9rpretes. Lan\u00e7ou, em 2005, seu primeiro CD, o Paralelas, em parceria com Alzira Esp\u00edndola, pela Duncan Discos, com as participa\u00e7\u00f5es especial\u00edssimas de Z\u00e9lia Duncan e Arnaldo Antunes. Para conhecer essas grava\u00e7\u00f5es e os parceiros da poeta, d\u00ea uma olhadinha na Discografia<\/p>\n<p>Antes da publica\u00e7\u00e3o de seu primeiro livro, Navalhanaliga, em dezembro de 1980, j\u00e1 havia escrito textos feministas, no in\u00edcio dos anos 1970 e editado algumas revistas, al\u00e9m de textos publicit\u00e1rios e roteiros de hist\u00f3rias em quadrinhos. Alguns de seus primeiros poemas foram publicados somente em 1984, quando lan\u00e7ou Pelos P\u00ealos pela Brasiliense. J\u00e1 ganhou v\u00e1rios pr\u00eamios, incluindo o Jabuti de Poesia, de 1989, pelo livro Vice Versos e o Jabuti de Poesia, de 2009, pelo livro Dois em Um.<\/p>\n<p>J\u00e1 participou do projeto Arte Postal, pela Arte Pau Brasil; da Exposi\u00e7\u00e3o Transcriar &#8211; Poemas em V\u00eddeo Texto, no III Encontro de Semi\u00f3tica, em 1985, SP; do Poesia em Out-Door, Arte na Rua II, SP, em 1984; Poesia em Out-Door, 100 anos da Av. Paulista, em 1991; da XVII Bienal, arte em V\u00eddeo Texto e tamb\u00e9m integrou o j\u00fari de 8 encontros nacionais de haikai, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Tem poemas traduzidos e publicados em antologias nos Estados Unidos, B\u00e9lgica, M\u00e9xico, Argentina, Espanha e Irlanda, tendo sido tamb\u00e9m convidada como palestrante na Bienal de Lenguas da Am\u00e9rica no M\u00e9xico e na Europalia Brasil em Bruxelas.<\/p>\n<p><b>A Jornada<\/b><br \/>A 16\u00aa Jornada Nacional de Literatura \u00e9 realizada pela Universidade de Passo Fundo (UPF) e pela Prefeitura de Passo Fundo. As Jornadas Liter\u00e1rias renderam \u00e0 cidade o t\u00edtulo de Capital Nacional da Literatura, reconhecida pela lei n\u00ba 11.264\/2006, e de Capital Estadual de Literatura, pela lei n\u00ba 12.838\/2007. Nesta edi\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de serem realizadas no Campus I da UPF, as atividades ser\u00e3o estendidas por diversos espa\u00e7os culturais de Passo Fundo, com a\u00e7\u00f5es como o \u201cProjeto transversais: rotas leitoras\u201d, o \u201cLivros na mesa: leituras bo\u00eamias\u201d e o \u201cCaminho das artes\u201d.<\/p>\n<p>Em 2017, as Jornadas Liter\u00e1rias tamb\u00e9m homenagear\u00e3o quatro grandes escritores brasileiros: Moacyr Scliar, Ariano Suassuna, Carlos Drummond de Andrade e Clarice Lispector, contemplando sua trajet\u00f3ria e as obras que marcaram suas carreiras. Os espa\u00e7os da Jornada receber\u00e3o o nome desses escritores. <\/p>\n<p>O Palco de Debates, denominado nesta edi\u00e7\u00e3o de Palco da Compadecida, ressurge dentro da grande lona, agora denominada Espa\u00e7o Suassuna. Para comandar as tem\u00e1ticas da Jornada, foram convidados Augusto Massi, Felipe Pena e Alice Ruiz, que mediar\u00e3o os seguintes debates: \u201cPor elas: a arte canta a igualdade\u201d, \u201cCentauro, pedra, rosa e estrela: Scliar, Suassuna, Drummond, Clarice\u201d, \u201cMonstros e outros medos colecion\u00e1veis\u201d e \u201cLiteratura e imagem: al\u00e9m dos limites do real\u201d. Entre os escritores confirmados est\u00e3o Affonso Romano de Sant&#8217;Anna, Br\u00e1ulio Tavares, Cintia Moscovich, Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, Juli\u00e1n Fuks, Marina Colasanti, M\u00e1rio Corso, Michel Laub, N\u00e1dia Battella Gotlib, Pedro Gabriel, Rafael Coutinho e Zeca Camargo.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es sobre a Jornada Nacional de Literatura podem ser obtidas por meio do site do evento (www.upf.br\/16jornada).<\/p>\n<p><b>Por: Assessoria de Imprensa <br \/>(Fotos: Divulga\u00e7\u00e3o) <\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alice Ruiz \u00e9 coordenadora de debates na 16\u00aa Jornada Nacional de Literatura<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2289,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2288","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v23.8 - 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